Bastidores
Como é negociar com um creator quando você já foi creator
Dois dos sócios da Bnoted passaram anos do lado de quem cria. Na negociação, isso aparece em detalhes pequenos, e são eles que fazem uma campanha sair boa.

Antes de negociar com creators, dois dos sócios da Bnoted negociaram como creators. O Leonardo Balthazar foi influenciador por seis anos. O Olavo Junqueira começou no Desimpedidos, construiu um canal com mais de 100 mil inscritos no YouTube e foi VJ no Instagram da MTV.
Essa bagagem vai além da biografia. Ela aparece em detalhes da conversa com quem cria, e são eles que separam uma campanha boa de uma campanha que só foi ao ar.
O briefing que deixa a pessoa ser ela
Quem já recebeu roteiro pronto, palavra por palavra, sabe como termina: o conteúdo sai com cara de anúncio e a audiência passa reto. A marca pagou pelo alcance e deixou de fora justamente a voz que fazia aquele perfil valer a pena.
Por isso o nosso briefing dá contexto em vez de texto decorado. Ele diz o objetivo, o que não pode faltar e o que a marca não pode dizer. O resto fica com o creator. O natural que funciona quase nunca nasce do nada, ele vem de uma direção clara que deixa espaço para a pessoa ser ela.
O tempo de quem cria
Para a marca, um post é uma entrega na planilha. Para quem cria, é ideia, roteiro, gravação, edição, ajuste e aprovação, tudo encaixado entre outros trabalhos. Quem já viveu isso não pede refação de véspera como se fosse coisa simples, e monta o cronograma contando com o tempo real da produção.
Parece detalhe, mas muda o timing da campanha inteira. O público percebe quando um conteúdo foi feito com pressa.
Valor justo para os dois lados
Negociar com quem conhece a conta do creator encurta a conversa. A gente sabe que o número de seguidores é só uma parte do preço. Também pesam o trabalho de criação, onde e por quanto tempo a marca vai usar o conteúdo e se existe exclusividade. Com tudo isso na mesa desde o começo, o contrato sai mais claro.
E a negociação não acaba no valor. Um contrato que diz o que acontece depois da publicação protege a marca e o creator ao mesmo tempo.
Quando a resposta é não
Ter sido creator também ensina a reconhecer quando uma parceria não combina. Do lado de quem cria, a gente percebe rápido quando uma marca escolheu pelo número e não pelo encaixe. A audiência percebe também.
Às vezes, o melhor resultado de uma negociação é não fechar. Uma parceria forçada custa caro para a marca, que paga por um conteúdo em que ninguém acredita, e mais caro ainda para o creator, que gasta a confiança da própria audiência.
Dos dois lados da mesa
Quando a gente fala que está dos dois lados da mesa, é disso que está falando. A marca chega a uma conversa em que alguém entende a rotina do creator, e o creator negocia com alguém que sabe o que a marca precisa provar. É essa conversa que a gente faz antes de qualquer campanha sair do papel.